Um hemograma é um teste de laboratório que avalia a quantidade e a qualidade dos diferentes componentes do sangue. Chamamos de hemograma completa é aquele que contém resultados das três linhagens de células. Porém é possível solicitar exames de linhagens específicas: contagem de hemácias, solicita-se um eritrograma. Já os resultados de apenas leucócitos, o exame a ser pedido é o leucograma. Caso somente as plaquetas, deve-se solicitar um plaquetograma.
Estes
componentes incluem:
- Glóbulos vermelhos (eritrocitos):
Os glóbulos vermelhos transportam oxigénio dos pulmões para todo o corpo e
levam dióxido de carbono de volta aos pulmões para sua eliminação. O
hemograma mede a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue e fornece
informações sobre o nível de hemoglobina (uma proteína que transporta oxigénio)
e o hematócrito (a percentagem de volume sanguíneo ocupado dos glóbulos
vermelhos).
- Glóbulos brancos (leucócitos): Os
glóbulos brancos fazem parte do sistema imunológico e ajudam no combate a
infecções e enfermidades. O hemograma mede a quantidade total de glóbulos
brancos e pode diferenciar entre vários tipos de leucócitos, como
neutrófilos, linfocitos, monocitos, eosinófilos e basófilos.
- Plaquetas (trombocitos): As placas
são células sanguíneas que participam da coagulação do sangue. O hemograma
mede a quantidade de plaquetas no sangue e fornece informações sobre a
capacidade de coagulação.
Um
hemograma completo é realizado com frequência como parte de um exame médico de
rotina ou quando um médico verifica a presença de uma doença médica. Os
resultados do hemograma completo podem ajudar a diagnosticar uma variedade de
doenças e traumas, como anemia, infecções, doenças auto-imunes, traumas de
coagulação e câncer de sangue, entre outros.
Os
valores de referência normais para os componentes de um hemograma completo
podem variar dependendo do laboratório e da população, mas um médico
interpretará os resultados à luz da história clínica do paciente e os sintomas
que podem apresentar. Se você tiver dúvidas ou dúvidas sobre seus resultados de
hemograma completo, recomendamos que consulte um profissional de saúde para
obter uma avaliação adequada.
Como
entender os resultados
O
considerado normal é, os valores que ocorrem em 95% da população sadia. 5% das
pessoas sem problemas médicos podem ter valores do hemograma fora da faixa de
referência (2,5% um pouco abaixo e outros 2,5% um pouco acima). Portanto,
pequenas variações para mais ou para menos não necessariamente indicam alguma doença.
Fonte: Material Próprio
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Eritrograma
O
eritrograma geralmente é apresentado no início ou no meio do hemograma. Ele
caracteriza os eritrócitos. Através deles, pode-se diagnosticar pacientes com
anemias diversas.
Hematócrito
e hemoglobina: os três primeiros dados, contagem de
hemácias, hemoglobina e hematócrito, são analisados em conjunto. Quando estão
reduzidos, indicam anemia, isto é, baixo número de eritrócitos no
sangue. Quando estão elevados indicam policitemia, ou seja,
excesso.
O hematócrito é
o percentual do sangue que é ocupado pelos eritrócitos (outro nome para os
eritrócitos é “hemácias”). Praticamente metade de nosso sangue é composto por
eritrócitos, nossas células vermelhas. A falta de eritrócitos prejudica o
transporte de oxigénio, já o excesso deixa o sangue muito espesso, atrapalhando
seu fluxo e favorecendo a formação de coágulos.
A hemoglobina é
uma molécula que fica dentro dessas células, ela é responsável pelo transporte
de oxigénio. Na prática, a dosagem de hemoglobina acaba sendo a mais precisa na
avaliação de uma anemia.
O volume
globular médio (VGM), mede o tamanho das células. Um VCM elevado indica
eritrócitos macrocíticos, ou seja, grandes. VCM reduzidos indicam células
microcíticas, isto é, de tamanho diminuído. Com esse dado podemos diferenciar
os vários tipos de anemias.
Exemplo,
anemias por carência de ácido fólico cursam com hemácias grandes, enquanto que
anemias por falta de ferro se apresentam com hemácias pequenas. Existem também
as anemias com hemácias de tamanho normal. Interessante: o alcoolismo é uma
causa de VCM aumentado (macrocitose) sem anemia.
O CHCM
(concentração de hemoglobina corpuscular média) dosa a concentração
de hemoglobina dentro da célula. O HCM (hemoglobina corpuscular média)
é o peso da hemoglobina dentro dos eritróctisos. Ambos valores indicam
aspectos bem semelhantes. Quando têm pouca hemoglobina, as células são ditas
hipocrômicas. Quando têm muita, são hipercrômicas.
O RDW é
um índice que avalia a diferença de tamanho entre as hemácias. Quando este está
elevado significa que existem muitas hemácias de tamanhos diferentes
circulando. Isso pode indicar hemácias com problemas na sua morfologia. É muito
comum RDW elevado, por exemplo, na carência de ferro, onde a falta deste
elemento impede a formação da hemoglobina normal, levando à formação de uma
hemácia de tamanho reduzido.
Leucograma
O
leucograma avalia os leucócitos. Como visto em Fisiologia, os leucócitos são um
grupo de diferentes células, com diferentes funções no sistema imune. O valor
normal dos leucócitos varia entre 4.000 a 11.000 células por microlitro. Quando
os leucócitos estão aumentados, diz-se leucocitose. Quando estão
diminuídos diz-se leucopenia.
NB:
O aumento ou a redução dos valores dos leucócitos por si só não indica muito,
já que é importante ver qual das seis linhagens foi a responsável por essa
alteração. Como neutrófilos e linfócitos são os tipos mais comuns de
leucócitos, estes geralmente são os responsáveis pelo aumento ou diminuição da
concentração total dos leucócitos.
Grandes
elevações podem ocorrer nas leucemias, que nada mais é que o câncer dos
leucócitos. Enquanto processos infecciosos podem elevar os leucócitos até
20.000-30.000 células/mm3, na leucemia, esses valores ultrapassam facilmente os
50.000 cel/mm3.
As
leucopenias normalmente ocorrem por lesões na medula óssea. Podem ser por
quimioterapia, por drogas, por invasão de células cancerígenas ou por invasão
por microorganismos.
Neutrófilos
O
neutrófilo é o mais comum. Eles são especializados no combate a bactérias, a
medula óssea aumenta a sua produção e sua concentração sanguínea se eleva. Por
isso, uma leucocitose, geralmente causada por neutrofilia, pode ser indício de
infecção bacteriana. Os neutrófilos têm um tempo de vida de aproximadamente
24-48 horas e, assim que o processo infeccioso é controlado, a medula reduz a
produção de novas células e seus níveis sanguíneos retornam rapidamente aos
valores normais.
Ø Neutrófila:
aumento do número de neutrófilos.
Ø Neutropenia:
redução do número de neutrófilos.
Segmentados
e bastões
Os
bastões são os neutrófilos jovens. Quando estamos infectados, a medula óssea
aumenta rapidamente a produção de leucócitos e acaba por lançar na corrente
sanguínea neutrófilos jovens recém-produzidos. Normalmente, apenas 4% a 5% dos
neutrófilos circulantes são bastões. A presença de um percentual maior indica
um processo infeccioso em curso. Os neutrófilos segmentados são os maduros. Na
fase final da infecção, praticamente todos os neutrófilos são segmentados.
Linfócitos
Os
linfócitos são o segundo tipo mais comum e representam de 15 a 45%. Os
linfócitos compõem a princial linha de defesa contra vírus e tumores. São eles
os responsáveis pela produção dos anticorpos. Em infecções virais, é comum que
o número de linfócitos aumente, às vezes, ultrapassando o número de neutrófilos
e tornando-se o tipo de leucócito mais presente na circulação.
Ø Linfocitose:
quando há um aumento do número de linfócitos.
Ø Linfopenia:
quando há redução do número de linfócitos.
Monócitos
Os
monócitos normalmente representam de 3 a 10%. São activados tanto por infecções
virais quanto bacterianas. Os monócitos em outros tecidos, “circulantes”,
são activados se diferenciando em macrófagos, célula capaz de fagocitar os
microrganismos. Os monócitos tipicamente se elevam nos casos de infecções,
principalmente naquelas mais crônicas, como a tuberculose.
Eosinófilos
Os
eosinófilos são os leucócitos responsáveis pelo combate de parasitas e pelo
mecanismo da alergia. Apenas de 1 a 5% dos leucócitos circulantes são
eosinófilos.
Ø Eosinofilia:
quando há aumento do número de eosinófilos.
Ø Eosinopenia:
quando há redução do número de eosinófilos.
Basófilos
Os
basófilos são o tipo menos comum de leucócitos no sangue. Representam de 0 a 2%
dos glóbulos brancos. Sua elevação normalmente ocorre em processos alérgicos e
estados de inflamação crónica.
Plaquetograma
As
plaquetas são os fragmentos dos megacariócitos produzidos na medula, que
iniciam o processo de coagulação. Na lesão do vaso sanguíneo, o organismo
encaminha as plaquetas ao local da lesão. Ao final do complexo processo, é formado
um trombo, que estanca o sangramento. O valor normal das plaquetas varia entre
150.000 a 450.000 por microlitro (uL). Porém, até valores próximos de 50.000, o
organismo não apresenta dificuldades em iniciar a coagulação.
Quando
esses valores se encontram abaixo das 10.000 plaquetas/uL há risco de morte,
uma vez que pode haver sangramentos espontâneos.
Ø Trombocitopenia:
redução do número de plaquetas no sangue.
Ø Trombocitose:
aumento do número de plaquetas no sangue.
A
dosagem de plaquetas é importante antes de cirurgias, para saber se o paciente
não encontra-se sob elevado risco de sangramento, e na investigação dos
pacientes com quadros de hemorragia ou com frequentes equimoses.
Bicitopenia
e pancitopenia
Quando
temos redução de duas linhagens de células do sangue, como no caso do paciente
com anemia e leucopenia, dizemos que ele tem bicitopenia. Já o paciente com as
três linhagens de células do sangue abaixo dos valores de referência é dito como
portador de pancitopenia.
Tanto
a pancitopenia quanto a bicitopenia costumam surgir em pacientes com algum
problema na medula óssea.
Ø Infiltração
da medula óssea: neoplasias hematológicas, câncer
metastático, mielofibrose e doenças infecciosas podem invadir a medula óssea e
ocupar o local de produção das células sanguíneas.
Ø Aplasia
da medula óssea: carências nutricionais, anemia
aplástica, doenças infecciosas, doenças autoimunes e certos tipos de
medicamentos podem afetar as células tronco da medula óssea, impedindo a
produção de novas células sanguíneas.
Ø Destruição
das células sanguíneas circulantes: a destruição antes do
tempo das células sanguíneas circulantes também pode causar bicitopenia ou
pancitopenia. As principais causas são: coagulação intravascular disseminada,
púrpura trombocitopênica trombótica, síndromes mielodisplásicas, distúrbios
megaloblásticos e hiperesplenismo.

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